Um episódio, no mínimo displicente, colabora com a idéia de que a Imprensa tem que deixar de lado uma das mais importantes de suas funções: a investigação. Será realizado hoje (23/09), na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, um ato promovido por representantes das principais centrais sindicais, alguns sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais contra o que denominam de “golpismo midiático”.O protesto é uma retaliação à Imprensa após os últimos episódios de tráfico de influência, descobertos por jornalistas, que derrubaram a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Organizadores do evento negam que o encontro seja retaliação, mas é difícil acreditar nesta versão. Qual o motivo existente para promover um ato desta natureza somente depois da divulgação do escândalo e após o presidente Lula atacar a Imprensa durante comício em Minas Gerais? Se não for retaliação deve ser mera coincidência. Como não creio em acasos no período eleitoral, fico com a primeira opção.
Realizar manifestações é um direito democrático. Exigir da Imprensa que se cale e dos jornalistas que só informem é autoritário. O abuso de denuncia vazia deve sim ser discutido e repudiado por toda sociedade, principalmente pela própria mídia, mas não pode ser utilizado como forma de inibir jornalistas de realizarem seu trabalho.
As reportagens publicadas nas últimas semanas demonstram a importância do Jornalismo Investigativo em ser cada vez mais difundido. Complexo é entender como um sindicato que defende os que escrevem cede seu espaço fisico para atos contra seus próprios representados. De duas, uma: ou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo foi enganado pelos organizadores, os quais podem ter solicitado o espaço para outro tipo de evento ou foi conivente com o desrespeito à liberdade de imprensa.
Em todo caso, se foi enganado deveria ter solicitado aos promotores do “Fica calada Imprensa” que realizassem o evento em outro local. Se não fez por questões contratuais deveria ter feito. Antes quebrar um contrato de locação do que colaborar com uma volta aos anos 60. Sendo mais exato, 64.
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